ANTES DO FILME
Conceber um filme que buscava retratar a elite do automobilismo não seria tarefa fácil. E ficou a cargo de Joseph Kosinski (Top Gun: Maverick) comandar o ambicioso projeto de combinar a alta velocidade das pistas com uma trama envolvente. O longa contou a bordo do cockpit Brad Pitt (Trem-Bala) e Damson Idris (Snowfall) como pilotos na equipe Apex. Completam o elenco principal Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez), como chefe da equipe, e Kerry Condon (Os Banshees de Inisherin), no papel da engenheira chefe.
A maior parte do filme foi gravada durante a temporada oficial de 2024 da Fórmula 1. Com o objetivo de melhorar a ambientação no longa, a equipe de produção tomou a decisão ousada de ir onde a magia acontece, e contou com a colaboração dos pilotos e equipes reais. O filme tem o orçamento estipulado em 300 milhões de dólares e conta ainda com Lewis Hamilton, piloto de Fórmula 1 da Ferrari, como produtor executivo.
DURANTE O FILME
Acompanhamos a vida de Sonny Hayes (Brad Pitt), um ex-piloto experiente que, atualmente, atua como pilota como freelance em diversas categorias do automobilismo. Porém, um chamado de Ruben (Javier Bardem), um velho amigo, o convida para um desafio inesperado: retornar à maior categoria de automobilismo do mundo, a Fórmula 1.
Após integrar a equipe da Apex Grand Prix, Hayes passa a dividir a garagem com a jovem revelação Joshua Pearce (Damson Idris). A meta seria recuperar a equipe de um péssimo começo de temporada. Com o passar das corridas, a relação da dupla de pilotos é posta à prova. Sonny apesar de experiente em provas, demonstra diversas iniciativas de continuar estudando as pistas para aprimorar seu desempenho.
Acompanhamos a dupla em diversas corridas, com diversos acidentes e estratégias ousadas para buscar a primeira vitória da equipe Apex na categoria. Conforme a temporada da Fórmula 1 chega na reta final, diversos interesses são revelados, tanto sob o ponto de vista dos negócios, quanto relacionado aos resultados na pista.
APÓS O FILME
O filme foi sem dúvidas a maior experiência cinematográfica que estive presente este ano, no quesito imersão na narrativa e em seus elementos, especialmente por ter assistido a obra em uma sala IMAX. A direção de Kosinski se preocupa com data detalhe e foi capaz de transmitir toda a ação frenética, de tirar o fôlego, presente nas corridas de Fórmula 1, muito por conta de as gravações terem ocorrido durante as corridas oficiais no ano de 2024 e diversas personalidades importantes aparecem em tela.
Um ponto que me agradou muito foi a apresentação de personagens de diversas categorias dentro da equipe, então observamos como reagem as diferentes situações da trama os mecânicos, engenheiros e as lideranças dentro do ambiente de uma corrida. Um ponto muito positivo foi a representatividade feminina, com personagens como a mecânica Jodie (Callie Cooke) e a engenheira-chefe Kate (Kerry Condon), que quebram estereótipos dentro do ambiente automobilístico.
O roteiro de Joseph Kosinski e Ehren Kruger (Transformers: A Era da Extinção) também merece elogio. Apesar de representar uma história básica, foi capaz de me surpreender com relação a função de Brad Pitt. Inicialmente, acreditei que a obra retrataria uma disputa entre os companheiros de equipe pelo título. No entanto, isso nunca foi levado em consideração, a apresentação principal do roteiro foi com base em Sonny auxiliar Pearce a conquistar as principais honras da equipe, sem necessariamente ser o protagonista. E, ao final da sessão, essa visão foi novamente modificada, mostrando que o roteiro soube criar camadas de narrativa.
A fotografia é estonteante, com cenários grandiosos e imersivos, a sensação de estar inserido dentro de uma equipe de Fórmula 1 é notada durante todo o filme. O uso de uma paleta de cores quentes, principalmente no momento das corridas, exemplificando as disputas acaloradas que ocorrem nas pistas. A trilha sonora também é muito importante no longa, por sempre manter a atmosfera animada, com músicas ou sons excitantes durante as corridas, tive o sentimento de um filme bastante leve por conta da trilha, mais um grande trabalho entregue pelo lendário Hans Zimmer (Duna).
Gostaria de destacar nas atuações o grande carisma dos principais atores envolvidos no longa. Brad Pitt se destaca com um personagem simpático e canastrão de início, mas ao longo da trama mostra a capacidade de trabalho em equipe e de um talento ímpar para guiar, torcemos por ele do começo ao fim do longa. Além disso, sua relação de irmandade com o personagem de Javier Bardem é notável. Também se destacam a performance de Kerry Condon e Damson Idris.
Por outro lado, alguns pontos me incomodaram. A ausência de um personagem que realmente se impusesse diante de Sonny Hayes dentro da equipe acabou prejudicando um pouco a dinâmica interna da Apex. Esse papel poderia ter sido exercido por Kasper (Kim Bodnia), o chefe de equipe, mas logo no primeiro embate entre os dois, o personagem de Pitt já se sobressai e Kasper acaba praticamente escanteado no restante do longa — algo estranho para quem deveria ser, tecnicamente, o “dono do box”. A falta de um aprofundamento maior no personagem de Brad Pitt também me incomodou.
O filme me conquistou com personagens cativantes, ambientação fantástica e uma história capaz de mudar de rumo diversas vezes. Entrei para assistir ao filme sobre Fórmula 1 com total de zero expectativas, somente com algumas informações desencontradas após assistir os trailers, mas fui com o sentimento de que seria uma experiência épica e realmente foi.